nasceste “a coisa mais linda do mundo…” (palavras de pai babado), no dia 21 de Novembro de 2007 às 18:45h! Hoje, um ano e quase 3 horas depois, cresceste, falas “bébézês” pelos cotovelos quando te dão liberdade e te sentes no teu mundo, gatinhas imenso e se te dermos as mãos caminhas até nos doerem as costas, já comes comida de “quase adulto” e bebes por uma palhinha (mas sem respirar! )…muita coisa mudou desde o dia em que nasceste, mas na verdade, continuas a “coisa mais linda do mundo” (palavras de amiga babada).
…há quem viva muito mais à frente…Bimby, Actifry, Chef-o-Matic…há quem tenha os 3!(e eu que até à bem pouco tempo vivia na ignorância)… cá por casa vota-se na Actifry…bimby não preciso…e o chef-o-matic, apesar de eu adorar a ideia de ter uma máquina para fazer pão, ainda é uma máquina grande demais e com um look muito piroso para a nossa cozinha…eheh…
falo muitas vezes aqui que acredito na possibilidade de mudar o mundo se cada um de nós procurar mudar o “nosso mundo”, o pequeno mundo que nos rodeia. Esta noite um grande número de “nós” acreditou e mudou não só o seu mundo, mas o de todos nós.
Quatro meses depois de trabalhar aqui no atelier escrevi um post sobre as pessoas que todos os dias vía estender a mão, fosse no metro, fosse na rua, faziam parte do meu dia-a-dia.
Nessa altura, eu estava a estagiar, vivia[mos] num t0 arrendado, e o futuro era um pouco incerto.
Hoje, quase dois anos depois, continuo a trabalhar no 4º esquerdo da Passos Manuel, mas agora a casa de onde saio e para onde volto todos os dias, já não é arrendada, é nossa. Neste ano e meio de intervalo entre posts, muita coisa mudou na minha vida, mas acima de tudo vivi muita coisa. Passei natais na aldeia com lareira e muito mimo, recebi abraços de mãe, de pai, de crianças, de amigos. Fui a casamentos, apaguei velas, recebi prendas. Ri muito, chorei demais. Ajudei alguns dos que me estenderam a mão, ofereci pequenos almoços e lanches. Fui a itália, ao Egipto…acampei em parques aventura, fui a casa…à casa dos pais,à segunda casa dos pais, à casa dos avós, à casa dos outros pais, à casa dos amigos…e amei, amei muito…mas aquelas pessoas que eu via estender a mão e a dormir nos bancos do jardim constantino continuaram sempre ali, durante 22 meses, todos os dias, e hoje não é excepção. Houve quem me dissesse que eu me iria habituar…mas não me habituei…habituar-me seria aceitar, seria dizer para mim mesma que o mundo está bem assim, que um banco de jardim pode ser a casa de alguém e que remecher no lixo e pedir comida a um estranho porque se tem fome é normal, é digno, é humano.Aceitar seria deixar de sentir, e eu sou uma pessoa de emoções, gosto de sentir, até mesmo o aperto que me fica no peito quando os vejo ali, sentados no banco do jardim quando chego de manhã, quando se cruzam comigo no passeio, quando os vejo estender a mão no metro que me leva ao aconchego da minha casa porque apesar de doer, faz-me sentir viva, bem mais viva do que a maior parte das pessoas que se cruzam com eles ao mesmo tempo que eu e que os ignoram, faz-me não aceitar e continuar a acreditar que é possível mudar o mundo, devagar é verdade [mas eu sou paciente] e o que sinto quando ajudo alguma dessas pessoas vale bem a pena, arrisquem sentir e acreditar…a recompensa é tão grande…
Nunca li confesso. Tentei. Mas provavelmente não lhe dei a atenção devida. Talvez porque as primeiras linhas não me tivessem dado a empatia que precisava para continuar. Parei, e nunca mais tentei…mea culpa. Embora continue a não ter qualquer empatia pelos livros que folheei, e pondo de parte todas as críticas que pudesse fazer, fui agradavelmente surpreendida. Uma amiga seduziu-me com o nome Fernando Pessoa e eu deixei-me seduzir. Descobri que posso não gostar do escritor, mas gosto do homem. Depois de ter lido 6 posts de seguida resolvi ir de fim de semana porque tenho alguém à minha espera à porta do metro do lumiar e eu ainda estou em arroios. Mas aqui ao lado já está o link para fazer parte do meu dia à dia.