ACTION DAY (PARTE II) October 15th, 2008
Quatro meses depois de trabalhar aqui no atelier escrevi um post sobre as pessoas que todos os dias vía estender a mão, fosse no metro, fosse na rua, faziam parte do meu dia-a-dia.
Nessa altura, eu estava a estagiar, vivia[mos] num t0 arrendado, e o futuro era um pouco incerto.
Hoje, quase dois anos depois, continuo a trabalhar no 4º esquerdo da Passos Manuel, mas agora a casa de onde saio e para onde volto todos os dias, já não é arrendada, é nossa. Neste ano e meio de intervalo entre posts, muita coisa mudou na minha vida, mas acima de tudo vivi muita coisa. Passei natais na aldeia com lareira e muito mimo, recebi abraços de mãe, de pai, de crianças, de amigos. Fui a casamentos, apaguei velas, recebi prendas. Ri muito, chorei demais. Ajudei alguns dos que me estenderam a mão, ofereci pequenos almoços e lanches. Fui a itália, ao Egipto…acampei em parques aventura, fui a casa…à casa dos pais,à segunda casa dos pais, à casa dos avós, à casa dos outros pais, à casa dos amigos…e amei, amei muito…mas aquelas pessoas que eu via estender a mão e a dormir nos bancos do jardim constantino continuaram sempre ali, durante 22 meses, todos os dias, e hoje não é excepção. Houve quem me dissesse que eu me iria habituar…mas não me habituei…habituar-me seria aceitar, seria dizer para mim mesma que o mundo está bem assim, que um banco de jardim pode ser a casa de alguém e que remecher no lixo e pedir comida a um estranho porque se tem fome é normal, é digno, é humano.Aceitar seria deixar de sentir, e eu sou uma pessoa de emoções, gosto de sentir, até mesmo o aperto que me fica no peito quando os vejo ali, sentados no banco do jardim quando chego de manhã, quando se cruzam comigo no passeio, quando os vejo estender a mão no metro que me leva ao aconchego da minha casa porque apesar de doer, faz-me sentir viva, bem mais viva do que a maior parte das pessoas que se cruzam com eles ao mesmo tempo que eu e que os ignoram, faz-me não aceitar e continuar a acreditar que é possível mudar o mundo, devagar é verdade [mas eu sou paciente] e o que sinto quando ajudo alguma dessas pessoas vale bem a pena, arrisquem sentir e acreditar…a recompensa é tão grande…
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October 16th, 2008 at 12:43 pm
Um dia, uma pessoa muito especial disse-me:- “as pessoas que vencem no mundo em que vivemos, são as que procuram as circunstâncias de que precisam, e, quando não as encontram, criam-nas!”. Então, mais uma vez me sinto privilegiada por ter posto no mundo, um ser humano maravilhoso e também por ter sido capaz de lhe dar a minha alma…li e senti exactamente o que sentes. Se calhar todos esses seres humanos por quem passas, não foram capazes de criar as circunstâncias…ou não os deixaram, não sei…só sei que toda a gente devia pensar como tu. Aí sim, tenho a certeza, o mundo ficaria melhor. Continua a fazer pelos outros, sempre um pouco mais do que aquilo que podes. Beijinhos
October 16th, 2008 at 11:03 pm
idem, ibidem.