Posted by silvia in Poesia
” Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
Fernando Pessoa
Posted by silvia in Poesia
…”Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu”…
vinicius de morais
Posted by silvia in Poesia
I do not love you as if you were salt-rose or topaz,
or the arrow of carnations the fire shoots off.
I love you as certain things are to be loved,
in secret, between the shadow and the soul.
I love you as the plant that never blooms,
but carries in itself the light of hidden flowers.
Thanks to your love a certain fragrance,
risen darkly from the earth, lives darkly in my body.
I love you without knowing how, or when, or from where,
I love you straightforwardly, without complexities or pride,
so I love you because I know no other way than this:
where “I” does not exist, nor “you,”
So close that your hand on my chest is my hand,
So close that your eyes close and I fall asleep.
pablo neruda
Posted by silvia in Poesia
sempre gostei de escrever…e posso dizer que os primeiros 3/4 anos de universidade foram dos mais frutíferos…já pensei até em compilar os meus poemas e escrever um livro confesso… No entanto, graças a esses anos, hoje percebo que a dor, a tristeza, a inquietação são muito mais ricas em poesia do que a felicidade, a harmonia, a paz. Não que nunca tenha escrito nestes momentos, claro que escrevi, escrevi quando te conheci…quando começámos a nossa história…aquela saída de um conto de fadas…carregado de poesia…(e ainda não desisti de o passar para o papel…), mas hoje é-me mais complicado escrever…e isso devo-o a ti…podía pensar que é por falta de tempo…também…mas sei que me é mais dificil escrever porque sou feliz, porque estou bem comigo mesma…porque me sinto em paz…porque mudaste a minha vida…
obrigado!…
Posted by silvia in Poesia
Even after all this time
the sun never says to the earth
“you owe me!”
Look what happens
with a love like that,
it lights the whole sky.
Hafiz
(a persian poet of the 1300s)
simples…mas bonito!
Posted by silvia in Poesia
…também eu confesso que “preciso de férias e mimo”. Estou cansada, aborrecida, entediada, deprimida…enfim…
Quando estou assim há algumas coisas que gosto de fazer para me enterrar ainda mais nessa atmosfera depressiva. Fechar-me em casa, no escurinho, enterrada no sofá a ver qualquer coisa sem interesse, preferencialmente novelas. Ou então, e esta é daquelas que mais gosto é pegar nos meus livrinhos da Maria do Rosário Pedreira, ou do José Luis Peixoto e perder-me por ali, por entre as linhas que já conheço de cór.
Por isso, e não me perguntem porquê, aqui ficam algumas dessas linhas…
“Se partires, não me abraces - a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.
Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces -
o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas. ”
“Mãe, eu quero ir-me embora – a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram –
se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.
Mãe, eu quero ir-me embora – os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim – tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.
Mãe, eu quero ir-me embora – nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique –
as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.
Mãe, eu vou-me embora – esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua – a última canção sobre
o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
tão grande, e as rosas que disseste um dia que chegariam
virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar.”
Maria do Rosário Pedreira, O Canto do Vento nos Ciprestes
E é assim que me despeço…bom fim de semana!
Posted by silvia in Poesia
É uma boa lição de moral…
Posted by silvia in Poesia
Talvez eu esteja muito enganada quanto ao que vou dizer mas na verdade pouco me importa…
Muitos são os que associam a poesia, numa simples definição inglória, ao verso, à rima, à mera exploração de ritmos e cadências…mas para mim a poesia não é nada disso, se o fosse, seria reduzir algo que é musicalmente interior a algo infinitamente inferior.
É fácil entender isso se percebermos que a poesia não é texto mas sim voz, uma voz muitas vezes silenciada por um ouvido destreinado…mas que ecoa naqueles que já se deixaram educar…é uma pedaço da alma de quem a cria e por isso, por mais que os olhos a procurem por entre as letras, vírgulas e exclamações…ela permanecerá sempre oculta por entre linhas, numa sonoridade invisível que nem todos escutam…é talvez por isto que nem todos compreendam a poesia…
O poeta americano Robert Frost, define-a como: “o que ficou por traduzir”…quando houver dúvida sobre se um texto é ou não poesia, basta traduzir. O que passou pela tradução é prosa, o que não pôde (e não pode) ser traduzido, é poesia.